VII CONGRESSO ONLINE DE CATEQUESE PAULINAS [2º DIA]

VII CONGRESSO ONLINE DE CATEQUESE PAULINAS [2º DIA]

Breve Resumo

Este vídeo é a segunda noite do congresso online de catequese Paulinas, focando na catequese inclusiva. Inclui um momento de oração, uma palestra sobre a catequese inclusiva nos documentos da igreja, e uma discussão sobre acessibilidade atitudinal e acolhimento.

  • A catequese inclusiva é para todos, não apenas para pessoas com deficiência.
  • A acessibilidade atitudinal é fundamental para a inclusão.
  • A formação contínua dos catequistas é essencial.

Abertura e Oração Inicial

Rafael Florêncio abre a segunda noite do congresso, expressando gratidão aos catequistas e destacando a importância de sua missão, especialmente nos dias atuais. Ele enfatiza que ser catequista é um dom e um chamado, comparando-o ao sim de Maria a Jesus. A noite começa com uma oração do Papa Francisco, pedindo a intercessão de Maria para que a Igreja seja um espaço de comunhão e evangelização para todos, alcançando até as periferias e levando a alegria do Evangelho.

Apresentação da Irmã Maria Eliene

Irmã Maria Eliene Pereira de Oliveira, da Congregação das Paulinas, é apresentada como a palestrante da noite. Rafael Florêncio detalha seu currículo, que inclui mestrado em teologia, licenciaturas em filosofia e teologia, e pós-graduação em psicopedagogia. Irmã Eliene expressa sua alegria em participar do congresso e cumprimenta os catequistas presentes.

Catequese Inclusiva nos Documentos da Igreja

Irmã Eliene inicia sua palestra questionando o conceito de catequese inclusiva, indagando se ela é vista como evangelização universal ou apenas como catequese para pessoas com deficiência. Ela explica que a catequese inclusiva é muito mais ampla e que a catequese para pessoas com deficiência é apenas um aspecto. A irmã destaca a importância do Concílio Vaticano II e como ele influenciou a renovação catequética, estabelecendo as bases teológicas para a inclusão de todas as pessoas na educação da fé. Ela menciona documentos como a "Gravissimum Educationis" e a "Gaudium et Spes", que enfatizam a dignidade de toda pessoa humana e o direito à educação cristã.

Diretório Geral da Catequese e Catecismo da Igreja Católica

Irmã Eliene aborda o Diretório Geral da Catequese, que reconhece a necessidade de oferecer catequese às pessoas com deficiências físicas ou mentais, adaptando métodos e linguagem às suas condições específicas. Ela também menciona o Catecismo da Igreja Católica, que reforça os fundamentos antropológicos e teológicos da inclusão, destacando a dignidade intrínseca de toda pessoa humana e a universalidade da salvação. A irmã enfatiza que a catequese inclusiva deve considerar as dimensões antropológica, eclesial, cristológica e pastoral, e que ela não se limita à preparação para os sacramentos, mas contempla toda a pessoa humana.

Diretórios para a Catequese de 1997 e 2020

A irmã continua explicando que o Diretório para a Catequese de 1997 aprofunda a reflexão sobre a catequese destinada a pessoas com necessidades especiais, afirmando que elas são sujeitos plenos da evangelização e da catequese. Ela destaca a importância de metodologias adaptadas e da participação da comunidade e da família no processo catequético. O Diretório para a Catequese de 2020 apresenta uma abordagem mais explícita e abrangente da inclusão, reconhecendo as pessoas com deficiência como protagonistas na vida da Igreja e promovendo uma catequese acessível a todos.

Formação do Catequista e Conversão Pastoral

Irmã Eliene enfatiza a importância da formação do catequista para ser testemunho e guardião da memória de Deus, especialmente ao lidar com pessoas com deficiência. Ela ressalta que a igreja oferece orientações, mas não cursos preparatórios específicos, sendo necessário que o catequista busque essa formação por conta própria. A irmã também destaca a necessidade de uma conversão pastoral, onde o catequista se sinta salvo e amado por Deus, para que possa acolher o outro do jeito que ele é, sem preconceitos.

Inclusão e Acolhimento na Catequese

A irmã responde a perguntas sobre como incluir a todos sem distinção e como lidar com a falta de sensibilidade dos pais. Ela explica que a inclusão exige uma conversão pastoral, onde o catequista se sinta salvo e amado, e seja capaz de acolher o outro do jeito que ele vem. A irmã enfatiza a importância de olhar para a pessoa, e não para a deficiência, e de não exigir a mesma resposta de todos, pois cada terreno é diferente. Ela sugere que as salas de catequese tenham dois catequistas para dar conta das necessidades individuais.

Preparação e Conhecimento para Catequistas

A irmã discute a importância da preparação dos catequistas e do dever da igreja de oferecer essa formação. Ela menciona que os catequistas precisam assumir essa responsabilidade e buscar conhecimento na área. A irmã cita exemplos de situações em que a falta de preparação pode levar a problemas, como o caso da catequista que teve que lidar sozinha com uma criança com necessidades especiais que agrediu outra criança. Ela também menciona a importância de observar as necessidades alimentares dos catequizandos, como intolerância à lactose ou ao glúten, para que eles não se sintam excluídos.

Igreja em Saída e a Missão da Catequese

A irmã Eliene ressalta a necessidade de a igreja ser uma igreja em saída, indo ao encontro do outro e se preparando para recebê-lo. Ela explica que a catequese nasce do desejo de narrar a experiência de Deus, como na ceia judaica e no anúncio da ressurreição de Jesus. A catequese precisa considerar o sujeito da evangelização como protagonista, e não apenas como receptor. A irmã lamenta que ainda não conheça catequistas com deficiência e enfatiza que essas pessoas não são coitadinhos, mas sujeitos ativos na história que devem participar.

Acolher e Ungir de Dignidade

A irmã Eliene cita o Papa Francisco, que diz que precisamos acompanhar as pessoas com deficiência e ungi-las de dignidade. Ela explica que a catequese inclusiva diz respeito ao respeito à cultura, à pessoa, aos idosos, aos filhos de casais de segunda união, aos migrantes e aos presidiários. A catequese inclusiva traz todos para o centro, como Jesus Cristo fez ao curar os cegos. A irmã enfatiza que não podemos incluir simplesmente para receber, mas que cada um tem a capacidade de dar.

Anticorpos Contra a Discriminação

A irmã Eliene cita o Papa Francisco, que diz que é preciso desenvolver anticorpos contra uma cultura que considera algumas vidas série A e outras série B. Ela lamenta que ainda hoje seja difícil reconhecer as pessoas com deficiência como pessoas de igual dignidade. A irmã enfatiza a importância de uma pedagogia e linguagem adequadas, e lamenta não conhecer catequistas que saibam Libras. Ela conclui que, ao mesmo tempo que a pessoa é destinatária, ela também é sujeita dessa missão.

Diálogo e Humildade

A irmã responde a uma pergunta sobre o que fazer quando o coordenador ou pároco bloqueiam a implantação de novas ideias na catequese. Ela responde que o caminho é o diálogo e a humildade, fazendo com que a pessoa acredite que foi ela que teve a ideia. A irmã também responde a uma pergunta sobre como trabalhar a dimensão da inclusão na ficha de inscrição, explicando que é importante conversar em particular com os pais que têm receio de falar sobre a deficiência do filho.

Acompanhamento e Suporte Familiar

A irmã responde a uma pergunta sobre se é possível convidar uma família para acompanhar a criança na catequese quando há poucos catequistas. Ela responde que, se o pai ou a mãe se sentem seguros em estar junto, é uma segurança tanto para a criança quanto para a catequista. A irmã também responde a uma pergunta sobre o que fazer com os pais que não aceitam as dificuldades dos filhos, explicando que essa é uma questão de fórum íntimo e que é preciso encaminhar o caso para o pároco e a pastoral familiar.

Lugar para Todos na Igreja

A irmã Eliene afirma que a igreja tem lugar para todo mundo e que todos têm algum dom a ser partilhado. Ela explica que a catequese ajuda na gestação, a igreja cultiva e alimenta com os sacramentos, e a família cultiva. A irmã conclui suas considerações finais mencionando alguns livros infantis que falam sobre as diferenças e a importância do acolhimento. Ela pede que todos leiam o Diretório para a Catequese de 2020, que é muito rico em orientações sobre a catequese inclusiva.

Encerramento da Palestra

Rafael Florêncio agradece a irmã Eliene por sua disponibilidade e colocações. Ele informa que haverá um intervalo rápido antes da próxima apresentação.

Abertura do Segundo Momento com Wilson Cândido

Rafael Florêncio reabre o congresso, agradecendo a participação do público e apresentando Wilson Cândido, que falará sobre acessibilidade atitudinal.

Acessibilidade Atitudinal e Inclusão

Wilson Cândido inicia sua apresentação corrigindo alguns termos, como "pessoa com deficiência" em vez de "portador" e "adequação" em vez de "adaptação". Ele enfatiza que a inclusão diz respeito a todos, não apenas a quem tem deficiência, e que a acessibilidade atitudinal é fundamental. Wilson destaca que a igreja é um lugar de acolher a todos em sua diversidade e que todos devem abraçar esse movimento.

Luto Familiar e Acolhimento

Wilson Cândido explica que a família vive o luto da morte de um filho que foi planejado e não chegou, e que a resistência da família não é apenas em não querer aceitar, mas em não admitir que aquilo está acontecendo. Ele enfatiza a importância de se colocar no lugar da família e tratar esse momento com respeito e sensibilidade. Wilson destaca que a maior preocupação dos pais não é que os filhos concluam a catequese, mas que se sintam parte e sejam acolhidos.

Neurodiversidade e Educação Especial

Wilson Cândido explica que a inclusão diz respeito a todos que se apresentam de forma diversa, e que a educação especial são serviços de suporte para que o outro consiga entrar, permanecer e receber esse serviço para garantir algum tipo de sucesso. Ele menciona a Lei Brasileira de Inclusão, que diz que a deficiência é qualquer comprometimento de longo prazo que, frente às barreiras do meio, dificulta o acesso com qualidade. Wilson destaca que a atitude faz a diferença nesse processo e que ter atitude é colocar-se no lugar do outro.

Tipos de Acessibilidade e a Resistência Atitudinal

Wilson Cândido lista os tipos de acessibilidade: metodológica, arquitetônica, programática, instrumental, nos transportes, digital e natural. Ele destaca que a acessibilidade atitudinal é a mais difícil de ser alcançada. Wilson explica que a acessibilidade atitudinal é a grande resistência e que é preciso tirar a pessoa com deficiência da mesa do médico e colocá-la em todas as mesas.

Autismo e a Lei Brasileira de Inclusão

Wilson Cândido explica que o autismo só entrou na Lei Brasileira de Inclusão como sujeito de direito em 2012. Ele destaca que há autistas que não têm deficiência, mas que, para a lei, todos são considerados pessoas com deficiência. Wilson explica que o autismo chegou na escola em janeiro de 2013 e que, até então, o autismo não estava na igreja porque a família colocava em casa ou nas instituições.

Capacidade e Neuroplasticidade Cerebral

Wilson Cândido enfatiza que a pessoa com deficiência, quando bem assessurada, pode chegar em qualquer lugar. Ele explica que o cérebro é um músculo que, se recebe estímulo, é capaz de se fortalecer e de compensar áreas em prejuízo a partir da neuroplasticidade cerebral. Wilson destaca a importância da estimulação precoce e de se conscientizar as pessoas de que existe um tempo que não se pode mais perder.

Observação e a Importância da Família

Wilson Cândido explica que, independente do diagnóstico, é possível perceber quem tem qualquer condição diversa. Ele enfatiza a importância de se observar aquilo que é diferencial e de se tentar ser a diferença para esse sujeito que tem qualquer dificuldade. Wilson destaca que, quando a família informa, é muito mais seguro, porque é possível estudar e pesquisar.

Resistência e a Formação do Catequista

Wilson Cândido lamenta que ainda haja catequistas e padres que não aceitam trabalhar com quem tem dificuldade. Ele destaca que a igreja é um espaço de todos e que não deveria haver resistência quanto a isso. Wilson elogia o movimento dos catequistas em se aproximar desse saber e em investir em sua formação.

Comportamento e o Ritmo de Aprendizagem

Wilson Cândido explica que a dificuldade não é com quem tem deficiência auditiva, visual ou física, mas com quem tem tempos diferentes no aprender ou um comportamento que tira do eixo de controle. Ele destaca que o alto potencial também pode ser um elemento desconfortável.

Síndromes e Sintomas

Wilson Cândido responde a uma pergunta sobre o que fazer quando a família não fala nada e se percebe sintomas de alguma síndrome. Ele explica que é importante trabalhar com a criança mediante o que ela apresenta, mas que também é importante chamar a família para conversar sobre o que foi observado. Wilson orienta a jamais chegar para a família e dizer que acha que o filho tem isso ou aquilo, mas a perguntar como está o acompanhamento médico com especialista.

Confissão e Comunhão

Wilson Cândido responde a uma pergunta sobre como agir adequadamente com relação à confissão e à ingestão da comunhão. Ele explica que é um processo que se faz durante a catequese e que, se o catequizando não está preparado para esse momento, é preciso conversar com a família.

Inclusão e Bom Senso

Wilson Cândido responde a uma pergunta sobre se um adolescente de 14 anos com autismo pode ser incluído em uma turma de catequese com menor idade. Ele explica que é preciso levar em conta o bom senso e primar pelo que for melhor para esse sujeito.

Identificação de Transtornos e Dificuldades

Wilson Cândido responde a uma pergunta sobre como identificar uma pessoa com algum transtorno ou dificuldade. Ele explica que o transtorno é quando aquilo que se tem, diferente dos demais, causa sofrimento e prejuízo nas relações. Wilson lista alguns sinais que podem indicar TDAH, deficiência intelectual, transtornos específicos da aprendizagem e autismo.

Transtorno Opositivo Desafiador (TOD)

Wilson Cândido explica sobre o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), um transtorno comportamental que pode evoluir para um transtorno de conduta e, na vida adulta, para um transtorno de personalidade antissocial. Ele destaca a importância de se chamar a atenção da família para a necessidade de ajuda médica, psiquiátrica, medicamentosa e orientação familiar.

Luto e Aceitação

Wilson Cândido responde a uma pergunta sobre o que fazer quando a família sabe que o filho tem autismo e não aceita. Ele explica que a família vive momentos emocionais distintos e que é preciso tratar essa família com respeito e sensibilidade. Wilson destaca que o luto é muito presente entre as famílias e que, enquanto esse luto não for superado, ela não consegue partir para a adaptação até chegar na aceitação.

Sugestões e Filmes

Rafael Florêncio sugere o DVD "Um Tempo para Amar", que fala sobre a inclusão de um filho com deficiência. Wilson Cândido sugere outros filmes, como "O Primeiro da Classe", "Assim como Estrelas na Terra", "Um Sorriso Tão Largo Quanto a Lua" e "Temple Grandin".

Comportamento Agressivo e Limites

Wilson Cândido responde a uma pergunta sobre o que fazer quando a criança com TOD apresenta risco para a turma e não há uma ação eficiente da família em buscar ajuda. Ele explica que, quando o comportamento agressivo põe em risco a integridade dela e a integridade dos demais, o catequista pode chamar a família para fazer algum tipo de orientação. Wilson destaca a importância de se documentar esse comportamento e de se pedir que a família assine ciente daquilo que foi repassado para ela.

Diagnósticos e Educação Familiar

Wilson Cândido alerta para uma geração de diagnósticos acontecendo, onde qualquer comportamento agitado ou desafiador está virando TDAH e TOD. Ele explica que é preciso diferenciar o que é transtorno do que é falta de limites, disciplina e educação familiar.

Considerações Finais e Acessibilidade

Wilson Cândido agradece a participação e o interesse de todos e diz que é um prazer colaborar para esse movimento de inclusão. Ele destaca que é sempre bem-vindo quem está buscando por novos saberes e quem está buscando entender melhor o seu catequisando. Wilson conclui com a frase: "Acessibilidade é um direito de todos, mas é responsabilidade de cada um de nós".

Encerramento

Rafael Florêncio agradece a Wilson Cândido por sua participação e informa que o material e o certificado serão disponibilizados na próxima semana. Ele lembra que todos os inscritos terão até 40 dias para rever o vídeo.

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