MEMÓRIAS PÓSTUMAS - RESUMO E ANÁLISE Prof. Dra em Literatura pela USP

MEMÓRIAS PÓSTUMAS - RESUMO E ANÁLISE Prof. Dra em Literatura pela USP

Breve Resumo

O vídeo apresenta uma análise detalhada de "Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis, destacando suas inovações narrativas, contexto histórico e social, e os principais temas abordados. A obra é caracterizada por sua estrutura fragmentada, narrador em primeira pessoa após a morte, e crítica à sociedade da época.

  • Inovações na narrativa, como capítulos curtos e experimentações textuais.
  • Crítica à sociedade do século XIX, incluindo costumes, casamento e ambições de glória.
  • Reflexões filosóficas sobre a condição humana, o sucesso e a miséria.

Introdução

Miriam Bevilacqua apresenta o livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis, destacando sua importância na literatura brasileira e sua relevância como leitura obrigatória para vestibulares. Ela menciona que usará uma edição antiga da década de 1950, que preserva características originais da escrita da época.

Título e Contexto da Obra

O título "Memórias Póstumas" refere-se às memórias de alguém que já morreu, Brás Cubas. Diferente de uma biografia, as memórias são pessoais e únicas. O livro foi publicado em capítulos na Revista Brasileira em 1880, apresentando um narrador morto em primeira pessoa, uma inovação que acompanhava as transformações sociais da época, como a urbanização e a industrialização, que questionavam os costumes tradicionais, incluindo o casamento.

Estrutura e Inovações Narrativas

Machado de Assis, em sua fase realista, distancia-se do romantismo e experimenta com a narrativa. "Memórias Póstumas" é composto por capítulos curtos, que conferem agilidade à leitura, assemelhando-se às crônicas de Machado, que frequentemente dialogava com o leitor. O autor utiliza inovações como capítulos sem diálogos, apenas com nomes e pontuação, buscando um realismo que evita idealizações românticas. O narrador, por estar morto, declara que será sincero, sem amarras ou consequências.

A História de Brás Cubas

Brás Cubas é retratado como um menino mimado, com grandes expectativas de glória depositadas pelo pai, o que o leva a buscar incessantemente o aplauso da sociedade. Ele tem um caso com a prostituta Marcela, mas é enviado para estudar Direito em Coimbra após o pai descobrir o relacionamento. No início do livro, é mencionado que apenas 11 pessoas compareceram ao seu enterro, apesar de sua fortuna de 300 contos de réis.

Romances e Desilusões

Após retornar ao Rio de Janeiro, a mãe de Brás Cubas morre, e ele se refugia na chácara da família. O pai o incentiva a se casar com Virgília, filha de um político, para se tornar deputado. No entanto, Brás Cubas se interessa por Eugênia, uma amiga da mãe, mas desiste do relacionamento ao perceber que ela é manca. Ele então conhece Virgília, mas ela se casa com Lobo Neves, decepcionando o pai de Brás Cubas, que acaba morrendo.

O Caso com Virgília e Encontros

Anos depois, Brás Cubas reencontra Virgília e eles se tornam amantes. Virgília mantém seu casamento com Lobo Neves, mas aceita ter uma casa na periferia para se encontrar com Brás Cubas, sob os cuidados de Dona Plácida. O caso se torna notório, e Lobo Neves parece estar ciente da situação. Quando Lobo Neves é indicado para ser presidente de outra província, Virgília parte, terminando o caso. Brás Cubas reencontra Quincas Borba, um antigo colega que se tornou mendigo e que o apresenta à filosofia do "Humanitismo".

Filosofia e Morte

Quincas Borba, um personagem importante na obra de Machado, cria o "Humanitismo", uma filosofia que muitos estudiosos consideram uma sátira aos movimentos da época, como o positivismo. Após a partida de Virgília, Brás Cubas decide se casar com Loló, mas ela morre de febre amarela. Ele não se casa com nenhuma das quatro mulheres com quem se envolveu. Brás Cubas consegue se tornar deputado, mas tem um mandato medíocre e não é reeleito.

Balanço Final

Em seus momentos finais, Brás Cubas inventa um emplastro para curar a hipocondria, mas ironicamente morre de pneumonia. Ele faz um balanço de sua vida, mencionando que morreu aos 64 anos, com 11 pessoas no enterro e 300 contos de réis. Ele conclui que, apesar de não ter alcançado a glória, teve um saldo positivo, pois não precisou trabalhar como Dona Plácida e não deixou filhos para herdar a miséria humana.

Considerações Finais

A frase final do livro, "não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria", é destacada como uma reflexão sobre a condição humana. Miriam Bevilacqua encoraja os espectadores a lerem Machado de Assis, apesar de sua complexidade, e a persistirem na leitura para descobrir as nuances de sua obra. Ela convida a se inscreverem no canal Biblion para mais discussões sobre literatura e obras obrigatórias.

Share

Summarize Anything ! Download Summ App

Download on the Apple Store
Get it on Google Play
© 2024 Summ